Falar em ensino e aprendizagem é coisa muito séria. Nem sempre se aprende o que é ensinado e também nem sempre se ensina o que é aprendido. Muito se aprende nas entrelinhas, nas situações não oficiais, nas conversas jogadas ao vento, no olhar distraído, na fala ingênua ou no encontro casual.
Quando pensei este projeto "Amigos da Vida" desejava ensinar muito mais que conteúdos didáticos, queria oportunizar momentos descontraídos de aprendizagem; de relacionamentos; de instigar a curiosidade; de apreciação da natureza; de intervenção consciente; de prazer em construir ou transformar algo. Desejava ver brilho nos olhos dos alunos, orgulho pela sua escola, que se sentissem parte dela e não apenas espectadores.
Pensei que sonhando, os levasse a sonhar. Mas como é difícil embarcar em sonho alheio. Como é difícil quebrar barreiras, nadar contra a maré. Como é difícil vencer as resistências do cansaço, da preguiça, do comodismo, da falta de sonho.
Alguns se arriscam a sonhar, mas percebendo as dificuldades da construção, desistem e isso também é algo para se aprender. Talvez estamos mal acostumados em receber as coisas prontas e quando precisamos construir, não temos paciência para esperar. Plantamos e não colhemos porque não sabemos esperar o processo de desenvolvimento. Abandonamos os nossos sonhos, largamos a própria sorte e consentimos na sua morte.
Precisamos pintar um outro quadro, precisamos adquirir garra para lutar, persistência para continuar e sonhos para sonhar.
Quero contribuir com idéias, com incentivo, com disposição e singelo conhecimento. Como colírio para os olhos, afastando a nebulosidade para que você veja o que de tão visto, ninguém vê.
Andrea Bergamascki